11.07.16

COLUNA RELEITURA - 11/07/2016

 

Quando o absurdo é a regra

 

Daíza Lacerda

 

Sim, vai ter Olimpíada! Sou super a favor da realização dos Jogos no Brasil e faço campanha para que as pessoas se desprendam dos ranços políticos e aproveitem a oportunidade de ter por perto um evento histórico.
Mas... por mais chances que a gente dê, alguns agentes públicos conseguem contrariar leis como a da lógica. Temo quando irão dominar até a da gravidade, diante de feitos que julgaríamos impossíveis, mas eles realizam.
O choque é devido à foto do poste na ciclovia do Parque Olímpico no Rio de Janeiro, literalmente um retrato do descaso à mobilidade e ao esporte, na cidade que se ostenta como "academia natural". Como se não bastasse a queda de um trecho de ciclovia, inclusive com vítima fatal.
Parece cômico, mas é trágico. Assim fica difícil acreditar que há seriedade no trato da coisa pública, até mesmo defender um evento tão tradicional com ameaças de ser manchado pela também tradicional falta de gestão eficiente dos recursos. O pedido de socorro ao governo federal evidencia a vergonhosa falta de planejamento da cidade e Estado do Rio. Mas estamos num país que é mais difícil assumir as limitações do que reconhecer quando não dá. Como já ouvi muito, "não guenta, não tenta". Mas, também, como se diz, brasileiro não desiste nunca.
Só que a vocação de remar contra a maré se espalha de forma espantosa, como em exemplo de outra esfera. Só a intenção de aceitar um simpatizante da ditadura militar para chefiar a Funai já seria uma ofensa. Mas a cereja do bolo é a indicação partir de um partido "cristão", dentro de uma barganha de cargos previamente acertada. Partido este que não considera tal posicionamento um constrangimento, aludindo à "democracia" de cada um defender o que quer. Resumo da ópera em reportagem da Folha: http://bit.ly/29lHt9W. Não sei se estou equivocada ou o partido, nem se estamos tratando do mesmo fato, aquela mancha na história brasileira que até hoje oculta corpos, razões e sabe-se lá mais o quê, em nome de qualquer coisa, menos da democracia. A nomeação foi barrada graças à intervenção do Ministério da Justiça, mas só depois depois de muita repercussão.
É triste ainda precisar garantir justiça "no grito", e ter de demandar mais energia em coisas que deveriam nos tranquilizar (ter uma ciclovia) e não nos preocupar (como um poste no meio dela).
Drummond, que jaz em bronze lá em Copacabana (também vítima com os inúmeros furtos dos seus óculos), sabia de nada, inocente. Pedra é para os fracos. No meio do caminho tinha um poste. Na paciência tão fatigada do brasileiro, vai à prova qual dos acontecimentos nunca serão esquecidos: os Jogos ou as falhas.

publicado por Daíza Lacerda às 08:30

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