01.08.16

É sempre mais fácil reclamar dos candidatos do que procurar fiscalizá-los a contento, não é? A urgência de fazermos nossa parte como eleitores (cidadãos!) é assunto do meu artigo. Convido a refletir, de forma séria, sobre a nossa postura como quem elege, e não "lavar as mãos" diante de todas as consequências que colhemos a partir do nosso voto. Por mais clichê que seja, a mudança está, sim, em nossas mãos, e essa responsabilidade não termina na urna, mas começa. Não basta eleger, tem de acompanhar, cobrar, contribuir, participar. Isso depende de uma longa mudança cultural, é verdade. Mas não existe maratona sem o primeiro passo!

COLUNA RELEITURA - 01/08/2016

O eleitor é que precisa evoluir

Daíza Lacerda

Pode não ser nos próximos quatro anos. Nem mesmo neste milênio. Mas a postura do eleitor precisa mudar tanto quanto a batida fórmula dos candidatos. Cobramos sangue e ideias novos, mas nós mesmos não evoluímos o nosso "relacionamento" com políticos e com a política. O esquecimento em quem votou em eleições passadas é uma das evidências mais graves.
É fato que nunca tantas pessoas serão cumprimentadas em inícios e meios de mandato como serão nos próximos meses. Já se ouve por aí que "vai começar" aquilo tudo que a gente já conhece na rotina pré-eleições, seguida de um revirar de olhos. Boa parte não consegue esconder o desânimo, já esperando mais do mesmo: discursos, promessas, quintais e ruas imundos com santinhos e a encheção de saco dos carros de som.
Sei que a descrença nas instituições é considerável, e não sem motivo. Só não dá para ignorar que as instituições são reflexos das nossas escolhas e, principalmente, dos nossos desleixos. Milhares elegem um vereador ou deputado, mas quantos acompanham sua conduta durante o mandato? Verbalizar em rede social é fácil, mas quem vai no gabinete para cobrar posição e atuação condizentes? Daí, chega esta época, emerge o circo do desespero como o retratado na última sexta nesta Gazeta, em matéria da jornalista Érica Samara, sobre a quantidade de proposituras arquivadas por serem ilegais. Parte das dezenas de pessoas que são pagas com o nosso dinheiro para legislar e fiscalizar, sequer sabe uma coisa ou pratica outra. Isso só para ficar no âmbito municipal.
Quero acreditar que nossos critérios como eleitores é que serão responsáveis por elevar o nível principalmente de comprometimento de candidatos, ainda que eu não esteja viva para usufruir disso. Afinal, dependerá de uma profunda mudança de cultura que, felizmente, começou, ainda que tímida perto da revolução que necessitamos. Antes tarde do que mais tarde.
Já passou da hora, por exemplo, de acabar com os votos de protesto, elegendo figuras cujos perfis são evidentemente inaptos para qualquer cargo eletivo. Já passou da hora de torcer o nariz para horário político, e tentar avaliar as propostas - para avaliá-las e cobrá-las no futuro, se for o caso. No mínimo, vai garantir risadas, o que é quase inevitável na campanha televisiva.
Estamos mais céticos, mas muitos ainda se rendem à ingenuidade perante a imagem. Passou da hora de se deixar levar pela trilha sonora envolvente, pelo sorriso falso nas fotos, pelos terninhos e camisas, pelo excesso de base facial ou de Photoshop mesmo e ir direto ao que interessa. Não basta saber quais são as propostas, mas a viabilidade, como serão executadas, se são possíveis ou palavras ao vento. Estamos condicionados às promessas vagas. E na hora do vamos ver, a velha justificativa da falta de verba, de entraves jurídicos.
Nós também temos de ser realistas o suficiente para saber o que é e o que não é possível dentro das fórmulas que nos serão vendidas. Não dá para tolerar ingerência e má vontade, mas também não dá para esperar milagres. Para isso, é preciso se envolver, se interessar o mínimo para entender as engrenagens que fazem uma cidade evoluir ou não. Nada menos do que exercer a cidadania.

 

publicado por Daíza Lacerda às 08:30

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