04.01.12

Michel Teló é como o Corinthians. Quem não ama, odeia. Assumo que estou no grupo que abomina a música do paranaense e similares (e também o time paulista, como boa palmeirense).
Certa vez fiquei injuriada por, mesmo sem querer, ter o status do Neymar enfiado goela abaixo nas páginas dos jornais, tweets e flashes da TV. É incrível como, mesmo sem querer saber da pessoa, a coisa chega até você. A não ser que se isole do mundo - e da mídia.
Com o tal do Teló é o mesmo, a bola da vez. Não sei explicar a minha indignação ao ver pipocar no TweetDeck o anúncio de "If I catch you" e tudo mais, dos novos voos do astro. E eu estava com a revista Época em mãos, comprada no final de semana, quando vários começaram a compartilhar uma crítica de um blog à capa da semana, com o dito cujo. Acompanho a edição online e compro a física uma vez por mês, com a Época São Paulo. Afinal, não seria o astro sertanejo o responsável pela aquisição.
Li antes a matéria para depois consultar o blog com as críticas, e assino embaixo cada observação. Como jornalista, senti uma "vergonha alheia" pelo texto apaixonado, que se acaba em adjetivos. É um toque que acho válido até, jornalísticamente. Mas há um limite e certamente o contexto dessa matéria não merecia tal recurso. Parece depoimento de tiete. Eu não faria melhor para os Paralamas ou Titãs, que têm história de verdade na cultura musical brasileira!
Gosto muito de ler a Época, justamente pelas abordagens que costuma fazer. É inegável que o tal do Teló é um fenômeno, assim como foi o É o Tchan e o Bonde do Tigrão ao seu tempo (que, felizmente, já passou). É pauta e vende. Só que é, no mínimo, indigesto, encarar uma reportagem tal como foi feita. Ainda mais depois de ler páginas excepcionais de uma entrevista com Umberto Eco (claro que não há comparação). Caberia milimetricamente numa revista adolescente.
Jornalísticamente acho válido ir atrás de profissionais e pensadores que possam repercutir o boom do sertanejo universitário que, efetivamente, tornou-se objeto de estudo (assim como outras tendências na música e inúmeras outras áreas). Eu gostando ou não, não deixa de ser uma tendência cultural. Agora, literalmente "lamber" o cara como está descarado na matéria, isso realmente é desrespeito com o leitor. Embora não exista objetividade jornalística, opinião expressa está em outra seção. E babação... não sei onde isso entra no jornalismo!
LUZ NO FIM DAS PÁGINAS
Endossando a crítica do colega do blog, dizer que aquilo traduz a cultura popular brasileira (e, pior, a leva para inglês ver), é, no mínimo, leviano. Uma verdadeira blasfêmia, em minha humilde opinião. Não desmereço esforço algum do cidadão para chegar ao estrelato. Afinal, criar músicas como as suas que estão bombando é para poucos. Messsmo.
Mas, se estamos falando em cultura, quem conseguir sobreviver bravamente às 12 páginas ricamente ilustradas dedicadas ao cantor, terá a luz no fim do túnel. Ou da revista, se assim preferirem.
Na seção Mente Aberta, o item cinema me fez querer mais, muito mais do que as cinco páginas que falam do projeto existente há décadas em que, em diversas tribos, os próprios índios documentam, em vídeo, sua cultura. E resgatam costumes esquecidos. Com muito menos palavras e fotos, me fez coçar a mão pra dar R$ 200 no livro e DVD "Vídeo nas aldeias- 25 anos". Sendo que não pagaria um décimo para consumir "ai se eu te pego" e similares. Mas, não sei. Talvez eu esteja equivocada no que me chama atenção em representações da cultura brasileira.

Confira aqui os posts do blog que bombou ao criticar a matéria:
http://literatortura.wordpress.com/2012/01/02/a-epoca-do-bom-senso-ja-passou/
http://literatortura.wordpress.com/2012/01/03/a-epoca-do-bom-senso-ja-passou-resposta/

sinto-me:
publicado por Daíza Lacerda às 23:23

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